Nas últimas décadas, o Paraná se especializou em ser um celeiro de grandes talentos no automobilismo. O Estado já criou dezenas de grandes competidores, com destaque para a safra nascida nos anos 80 e 90, lideradas por Ricardo Zonta, Tarso Marques, Marco Campos e Enrique Bernoldi, entre outros.
Recentemente, uma nova estrela foi identificada nesta constelação: Matheus Marini. Com apenas 13 anos, idade tardia para estrear em um esporte tão precoce como o automobilismo, este curitibano nascido em 26 de março de 1998 chamou a atenção de um dos principais nomes do Paraná no cenário brasileiro atual: Julio Campos.
Antes disso, a paixão de Matheus está no sangue: seu irmão, Jhonny, é um apaixonado por velocidade e possuía um kart. Matheus sempre o acompanhou nas pistas, com água na boca e sede por poder competir. "Eu brincava, dizia que era perigoso, falava que ele precisava crescer um pouco", conta.
No entanto, há três meses, Jhonny não esperava que seu mecânico montasse um kart com mais de 20 anos e motor 13 Honda. "Ele entrou na pista e saiu andando sem se preocupar, mesmo com nós pedindo para ele parar. Foram mais de 30 voltas que chamaram a atenção de muita gente. Mas era um esporte caro e perigoso, e eu achava que ele iria ‘'tomar pau'". Foi quando Julio Campos entrou na história.
Por intermédio de uma pessoa, Campos foi apresentado a Matheus. Fora do kart há muito tempo e dedicado à Stock Car, Julio não estava muito empolgado em ser treinador do garoto até vê-lo na pista. O piloto da RZ Crystal ficou maravilhado e decidiu "adotar" o garoto.
"Tem três meses que estou dando aula de kart para o Matheus, a evolução dele esta sendo muito rápida", analisa Campos. "Como ele andava fazia muito pouco tempo de kart, ficou muito mais fácil ajustar os erros dele, pois o Matheus não tinha nenhuma mania errada pilotando", comenta.
Porém, treino é diferente de corrida, e Matheus sentiu isso logo de cara, quando disputou sua primeira prova oficial no Kartódromo Granja Viana, em São Paulo. Jhonny relembra a história: "Foi quando ele caiu na realidade. O piloto mais bobo do grid tinha oito anos já no kart e Matheus não sabia nem ultrapassar. Nem alinhar em um grid ele sabia. Ele se assustou, mas gostou."
Mais habituado, Matheus foi para a segunda prova de sua curta carreira no prestigiado torneio SKB, terminando em décimo na categoria Junior, ostentando em seu kart o número 4 de seu ídolo Julio e a meta, que é poder competir de Stock Car. Objetivo que, segundo Julio, não deve ser difícil de conquistar, caso Matheus continue apresentando a dedicação e o talento que impressionou a todos.
"Hoje ele já está muito rápido, mas ainda falta experiência. Como andamos juntos pelo menos duas vezes por semana, acho que até o meio do ano que vem ele já estará pronto para brigar por vitórias", atesta Campos. "Amém", brinca Matheus, que entrará de cabeça no kartismo profissional em 2012.
Próxima corrida
3ª Et. Copa São Paulo Light de Kart- Aldeia da Serra
14.04.2012